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O ano de 2021 começou com dois acontecimentos auspiciosos: o lançamento da vacinação contra a Covid-19 e a Presidência portuguesa do Conselho da União Europeia. Embora aparentemente não relacionados, estes dois acontecimentos estão, na minha opinião, intimamente ligados. O desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19 (no plural!) foi um triunfo da ciência e da biotecnologia. Fomos testemunhas do maior esforço colaborativo de todos os tempos, em que cientistas, governos e organismos reguladores se uniram para financiar e agilizar o desenvolvimento, os testes e a aprovação de várias vacinas altamente eficazes, alcançando o sucesso em menos de um ano e, consequentemente, permitindo-nos ter esperança de que esta pandemia termine em breve.
Assistimos também, como um dos primeiros atos oficiais da Presidência portuguesa, ao lançamento do novo programa-quadro de investigação e inovação, que decorrerá entre 2021 e 2027, o Horizonte Europa. Este ambicioso programa de 100 mil milhões de euros será fundamental para moldar o futuro da bioeconomia azul. Sem quadros de financiamento como o Horizonte Europa e o seu antecessor, o H2020, os avanços que estamos a assistir na ciência e na tecnologia seriam impossíveis. Já mencionei as vacinas contra a Covid-19, mas estas foram apenas uma parte deste esforço global. Foram desenvolvidos novos ventiladores médicos e outros equipamentos médicos inovadores, novas soluções de testes rápidos, equipamentos portáteis de desinfeção por luz UV, e a lista continua. Todos estes desenvolvimentos permitiram que as UCI em todo o mundo aumentassem significativamente a sua capacidade, conseguindo lidar com o que, de outra forma, teria sido uma batalha perdida. Talvez mais discretas tenham sido as descobertas na biotecnologia azul, como a reprofilagem da plitidepsina (medicamento sintético baseado numa substância produzida numa espécie de ascídias encontradas no mar Mediterrâneo, utilizada no tratamento de alguns tipos de cancro), que se revelou eficaz na redução da carga viral em doentes com COVID-19. Ou a descoberta de que um polissacarídeo de uma macroalga poderia servir como um potencial candidato a medicamento para proteger contra a infeção por SARS-CoV-2. Sem os fundos que foram rapidamente disponibilizados para I&D relacionada com a Covid-19, teria sido impossível chegar onde estamos hoje. Sem colaboração, teríamos falhado. Este tipo de colaboração está na génese dos CoLABs e estamos a trabalhar juntos para fazer parte desta nova e empolgante era da ciência aberta.
António Isidoro
CEO of Soja de Portugal
President of B2E CoLAB
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b2e@b2e.pt
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4450-718 Leça da Palmeira