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Durante muitos anos, falar de sustentabilidade significou definir compromissos, estabelecer metas e comunicar intenções. Hoje, a realidade industrial está a mudar. Clientes, cadeias de abastecimento e futuras exigências regulatórias começam a pedir algo mais concreto: dados verificáveis sobre o impacto ambiental real dos produtos.
É neste contexto que a Análise de Ciclo de Vida (LCA, do inglês Life Cycle Assessment) está a ganhar relevância em setores como a alimentação animal, a aquacultura e a bioeconomia. No B2E CoLAB, esta metodologia tem vindo a apoiar empresas que procuram transformar sustentabilidade em conhecimento técnico capaz de suportar decisões industriais e comerciais. Um dos exemplos mais recentes foi o trabalho desenvolvido com a Soja de Portugal.
Ao contrário de indicadores isolados, como a pegada de carbono, uma LCA permite analisar o impacto ambiental de um produto ao longo de toda a sua cadeia de valor, desde a origem das matérias-primas até às etapas de produção, transporte e distribuição.
Para o B2E CoLAB, esta metodologia está a tornar-se cada vez mais estratégica. “Estamos a assistir a uma mudança clara no mercado. As empresas já não procuram apenas comunicar compromissos ambientais. Procuram perceber, com base em evidência, onde estão os principais impactos dos seus produtos e onde devem atuar primeiro”, explica Taynara Franco, técnica de LCA do B2E CoLAB.
Segundo a responsável, o verdadeiro valor de uma LCA não está apenas nos resultados numéricos: “Uma boa LCA ajuda a transformar dados técnicos em decisões de negócio. Permite rever matérias-primas, fornecedores, formulações e até prioridades de investimento.”
A Soja de Portugal tem vindo a trabalhar as questões de sustentabilidade há vários anos, incluindo relatórios corporativos e iniciativas anteriores de medição de pegada de carbono.
Os pedidos do mercado, nomeadamente em torno das emissões de gases com efeito de estufa e da pegada de carbono de determinadas rações, reforçaram a oportunidade do momento.
O passo seguinte foi, assim, aprofundar e consolidar o trabalho já realizado. “Sentimos necessidade de aplicar metodologias de forma mais consolidada, sistemática e alinhada com as orientações atuais. Foi nesse contexto que avançámos com o B2E CoLAB para uma LCA”, explica a empresa.
Uma das aprendizagens mais frequentes do B2E CoLAB em contexto industrial é que os dados existem, mas raramente estão preparados para responder ao nível de detalhe exigido por este tipo de metodologia.
Foi exatamente isso que aconteceu neste projeto. “O maior desafio foi, sem dúvida, a obtenção da informação necessária para a elaboração do inventário”, refere a Soja de Portugal, acrescentando: “O ponto mais crítico foi a identificação da origem das matérias-primas, uma vez que essa informação não se encontrava sistematizada nos nossos softwares de gestão.”
Para o B2E CoLAB, esta realidade é transversal a muitas empresas. “Muitas organizações acreditam que o desafio de uma LCA está nos cálculos. Na prática, o maior desafio está quase sempre na estrutura dos dados internos e na capacidade de ligar informação técnica, operacional e de sourcing”, adverte Taynara Franco.
Embora os resultados quantitativos deste estudo permaneçam confidenciais nesta fase, o processo permitiu identificar aprendizagens relevantes. A análise confirmou que a fase associada às matérias-primas representa a parte mais significativa do impacto ambiental do produto avaliado. “Este resultado permitiu identificar esta fase como prioritária para futuras ações de melhoria, nomeadamente ao nível da seleção de fornecedores, da origem dos ingredientes e da otimização das formulações”, refere a Soja de Portugal.
A LCA mostrou ainda que o desempenho ambiental de uma matéria-prima pode variar significativamente consoante a sua origem, os processos de transformação e a logística associada.
Este tipo de análise permite compreender melhor os fatores que mais influenciam o impacto ambiental ao longo da cadeia de valor e apoiar decisões futuras com base em dados concretos.
Para o B2E CoLAB, é precisamente aqui que está o valor da metodologia. “Uma LCA não serve só para decidir entre categorias de ingredientes. Serve para mostrar, dentro de cada escolha, onde a origem e os processos fazem a diferença e, portanto, onde é possível otimizar”, sustenta Taynara Franco.
Para a Soja de Portugal, o principal ganho deste trabalho vai além da medição ambiental. “A experiência de trabalhar com o B2E CoLAB foi bastante positiva. Destacamos a qualidade do serviço prestado, bem como o elevado nível de detalhe e rigor técnico.” A empresa acrescenta: “O acompanhamento muito próximo da equipa constituiu uma mais-valia para a realização de um estudo rigoroso e preciso.”
O processo deixou também a empresa mais preparada: entre as principais oportunidades identificadas está a melhoria da recolha e da gestão de dados internos, uma capacidade que passa a estar ao serviço de qualquer análise futura.
Para o B2E CoLAB, este é precisamente o objetivo. Segundo Taynara Franco, “para além de entregar resultados, queremos ajudar as empresas a criar capacidade interna para interpretar dados, tomar decisões mais robustas e preparar-se para um mercado onde sustentabilidade será cada vez mais sinónimo de evidência”.
Num contexto em que a sustentabilidade começa a influenciar decisões de compra, desenvolvimento de produto e competitividade internacional, medir já não é apenas uma questão técnica. Está a tornar-se uma decisão estratégica.
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