O episódio “Mar” do Portuguese Soul, na RTP2, juntou ciência, indústria e história à volta de uma pergunta incómoda: o que fazer ao que as indústrias do oceano deixam para trás. Entre as vozes convocadas esteve o B2E – Blue Bioeconomy CoLAB.
Num país onde o mar vale cerca de 97 por cento do território, o oceano é quase sempre reduzido àquilo que chega ao prato. O episódio “Mar” do Portuguese Soul, exibido na RTP2, propôs outra leitura: a de que o mar é também matéria-prima, e a de que o desperdício das indústrias que dele vivem pode ser o ponto de partida para novos materiais.
A série documental, resultado da parceria entre a Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes e Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS) e a RTP2 e apresentada pela fadista Gisela João, dedica cada episódio a um material e a quem o transforma. O episódio sobre o mar arranca de uma questão concreta: o que fazer aos resíduos gerados pelas indústrias que exploram o oceano, e de que forma pode a moda ser motor dessa mudança.
A pergunta não é abstrata. Só a União Europeia importa por ano quase dois mil milhões de pares de calçado, que geram mais de 1,2 milhões de toneladas de potenciais resíduos. É neste ponto, o do desperdício à escala industrial, que se cruzam os convidados do episódio.
A leitura destes desafios à luz da bioeconomia azul coube ao B2E CoLAB. Laboratório colaborativo dedicado a esta área, faz a ponte entre os centros de investigação e a indústria, com o objetivo de que o conhecimento científico chegue mais depressa ao mercado sob a forma de soluções concretas. A sua atividade centra-se na valorização dos recursos marinhos e na abertura de novas oportunidades para áreas como as pescas, a aquacultura, os ingredientes alimentares, os biomateriais e a biotecnologia. No episódio, foi representado por Patrícia Gonçalves, gestora de comunicação e marketing do B2E CoLAB, que levou à conversa a perspetiva de quem trabalha na fronteira entre o conhecimento sobre o mar e a sua aplicação industrial.
No mesmo episódio ouviram-se outras vozes. Do lado da ciência, Manuela Pintado, professora catedrática na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica e diretora do CBQF, detalhou o trabalho de valorização de subprodutos e resíduos e de produção de compostos bioativos de alto valor a partir deles. Maria José Ferreira, do Centro Tecnológico do Calçado e coordenadora do BioShoes4All, o maior projeto alguma vez realizado pela indústria portuguesa de calçado, mostrou como o setor já olha para outros materiais.
Ana Silva Tavares, presidente executiva da RDD Textiles, trouxe o têxtil circular, que recupera sobras de produção e roupa usada e lhes devolve valor, com a rastreabilidade assegurada. Manuel Ramirez, à frente da Ramirez, a conserveira mais antiga do mundo em atividade, representou a indústria histórica do mar, a que vive do pescado e gera os subprodutos de que o episódio fala. E o historiador Luís Gonçalves Ferreira, especialista em História da Indumentária, deu profundidade ao tema.
“O encontro de uma investigadora, uma coordenadora de projeto, duas empresas de setores distintos, um historiador e um laboratório da bioeconomia azul não foi casual. Ilustra o que atravessa todo o episódio: nenhuma destas mudanças acontece dentro de uma só fileira. É preciso a investigação, a indústria e o design a puxar na mesma direção para que a bioeconomia azul deixe de ser um conceito e passe a ser produto”, realça Patrícia Gonçalves.
+351 220 731 375
b2e@b2e.pt
Avenida da Liberdade, s/n, sala E7
4450-718 Leça da Palmeira