– O projeto OmegaPeixe será o primeiro em Portugal a produzir peixe com um nível otimizado de ómega 3.
– Os ómega 3 são uma fonte de saúde cardiovascular e úteis no combate a estados depressivos: um aliado em tempos de confinamento social.
– Foco na inovação e na tecnologia nacional de empresas e instituições do setor para estimular e afirmar a aquicultura sustentável «made in Portugal».
O projeto OmegaPeixe irá produzir pregado e robalo, duas das espécies mais relevantes no sul da Europa, e aumentar os níveis de ómega-3 de cadeia longa (os mais benéficos para a saúde) de forma otimizada e ambientalmente sustentável. É a primeira vez que as empresas investem na produção nacional de peixe enriquecido com ómega-3. O objetivo é triplo: responder à elevada procura por alimentos ricos nestes nutrientes, com benefícios comprovados para a saúde humana, incluindo uma forte ação anti-inflamatória com a prevenção de doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, diabetes e estados depressivos; respeitar o bem-estar animal e o ambiente e, ao mesmo tempo, incentivar a aquicultura sustentável made in Portugal.
«O nosso objetivo é fornecer ao consumidor um peixe diferenciado, com elevado valor nutricional, em particular com um elevado teor de ómega-3 de cadeia longa (EPA e DHA), produzido de forma sustentável utilizando uma seleção cuidadosa de ingredientes a um preço acessível», afirma Renata Serradeiro, CEO da Acuinova, líder do projeto e referência europeia no setor.
Além da Acuinova, que produzirá pregado, o consórcio inclui também a empresa ALGAplus, referência europeia em aquicultura multitrófica integrada, que será responsável pela produção de robalo biológico, o Instituto Abel Salazar de Ciências Biomédicas (ICBAS), da Universidade do Porto (UP), coordenador científico com competências internacionais reconhecidas na área da aquicultura, e o Laboratório Colaborativo para a Bioeconomia Azul (CoLAB B2E), um dos 35 laboratórios colaborativos nacionais criados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e monitorizados pela Agência Nacional de Inovação (ANI). O consórcio conta com o apoio da Riasearch e da Sparos, empresas especializadas em I&D na aquicultura, para a execução do projeto.
Ciência e inovação ao serviço da saúde humana e animal
Com uma vasta experiência na área da nutrição de peixes marinhos, sempre com base na promoção do bem-estar animal e na sustentabilidade da aquicultura, e com o objetivo da segurança alimentar e da qualidade do peixe, o ICBAS é o parceiro científico da OmegaPeixe.
O ICBAS será responsável por avaliar o impacto das dietas de acabamento, ou seja, direcionadas para a fase anterior à colheita, no perfil nutricional de cada espécie em estudo. «Estas dietas serão otimizadas para cada espécie, utilizando modelos matemáticos e o programa inteligente FEEDNETICS, desenvolvido em Portugal num projeto anterior de I&D da Sparos, para selecionar os ingredientes com maior potencial funcional e sustentabilidade económica. No final, serão propostos protocolos alimentares específicos para o pregado e o robalo», explica a investigadora Luísa Valente.
As recomendações médias para adultos de entidades como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos incluem uma ingestão diária mínima de 250 mg de EPA + DHA (ómega-3 de cadeia longa), o que pode ser alcançado comendo peixe duas vezes por semana. O peixe é a principal e quase exclusiva fonte destes nutrientes na nossa dieta. No entanto, nas últimas décadas, assistimos a uma redução importante do teor destes nutrientes no filete de várias espécies produzidas em aquicultura.
«A OmegaPeixe irá otimizar a produção de duas espécies de elevado valor económico, produzidas no nosso país, de forma a garantir ao consumidor níveis destes ómega 3 bem acima dos mínimos associados aos benefícios para a saúde humana, ao longo de todo o ano», acrescenta Luísa Valente.
Produto de alta qualidade a um preço acessível
«Um dos objetivos do projeto é fornecer peixe de alta qualidade aos consumidores, sem aumentar significativamente o preço de venda», esclarece Helena Abreu, fundadora e diretora-geral da ALGAplus, empresa que acaba de lançar o robalo biológico no mercado.
O projeto OmegaPeixe terá um investimento total de cerca de 1 milhão de euros, dos quais quase 666 mil euros serão suportados pelo Portugal 2020 e pelos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento, da União Europeia, através do Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico. Os trabalhos decorrerão ao longo de dois anos e meio.
A aquicultura do futuro é feita em Portugal
Com a crescente necessidade de proteína animal por parte dos consumidores em todo o mundo (em 2050, haverá 9,7 mil milhões de pessoas) e graças à escassez das populações de peixes selvagens, a aquicultura já fornece metade do peixe consumido em todo o mundo.
«A aquicultura nacional e europeia é uma resposta exemplar em termos de segurança alimentar, qualidade, frescura, bem-estar animal e legislação. É de salientar que a utilização de hormonas e antibióticos para promover o crescimento animal está proibida na UE há duas décadas e nunca foi uma prática comum na aquicultura europeia», reforça Elisabete Matos, Coordenadora Técnico-Científica do CoLAB B2E.
Para Elisabete Matos, «o futuro passa cada vez mais por encontrar soluções adaptadas ao ambiente, aos animais e à procura e necessidades do mercado: uma sustentabilidade transversal», prevê.
A aquicultura é uma «área estratégica» da economia portuguesa
«Em termos económicos, o setor azul tem um potencial de crescimento no qual devemos investir, pois há várias áreas em que pode ser desenvolvido. Além da aquicultura, a valorização dos recursos marinhos através da biotecnologia (desenvolvimento de medicamentos de origem natural, novos alimentos, etc.) são áreas com um potencial de crescimento colossal», acrescenta Elisabete Matos.
Atualmente, a economia do mar cresce ao dobro da velocidade da economia nacional. De acordo com a Conta Satélite do Mar, desenvolvida pela Direção-Geral das Políticas Marítimas e pelo INE, entre 2016 e 2018, o setor azul cresceu 18,5% em Valor Acrescentado Bruto (VAB) e 8,3% em emprego. A economia nacional cresceu 9,6% em VAB e 3,4% em emprego.
O setor da pesca, aquicultura, transformação e comercialização é responsável por 25,1% deste VAB e pela criação de mais de 60 mil postos de trabalho. Em 2018, estima-se que o impacto direto e indireto da economia marítima na economia nacional se tenha traduzido em 5,4% do VAB e 5,1% do Produto Interno Bruto. Todo este impacto económico é alcançado com impactos ambientais muito baixos quando comparado com outras atividades económicas.
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