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Toneladas de resíduos de ananás que antes iam para o lixo passam agora a ser transformadas em ingredientes de alto valor para a aquacultura. A AgroGrINTech, start-up portuguesa, arrancou com uma unidade piloto em Pedrouços, na Maia, dando um passo concreto na demonstração de que a economia circular pode ser uma realidade industrial.
Desenvolvida no âmbito do projeto Pep4Fish, a unidade produz bromelaína, uma enzima extraída dos resíduos de ananás que, aplicada na produção de hidrolisados proteicos, contribui para melhorar a digestibilidade, a saúde e o crescimento de robalo e dourada de aquacultura. As suas propriedades anti-inflamatórias, digestivas e antioxidantes abrem ainda porta a aplicações noutras indústrias, como a farmacêutica, a alimentar e a cosmética.
O ananás não foi escolhido ao acaso. É uma das frutas mais ricas em bromelaína, concentrada precisamente nas partes que normalmente se desperdiçam, como a casca e o núcleo. Foi precisamente este desperdício que esteve na origem da AgroGrIN Tech: a empresa nasceu da necessidade de encontrar uma solução sustentável para os resíduos que uma empresa portuguesa produzia diariamente em grandes quantidades, sem destino útil.
“A implementação desta linha piloto é um marco importante para o desenvolvimento de um processo sustentável de valorização de resíduos agroindustriais, com impacto positivo tanto no ambiente como na competitividade da empresa”, afirma Débora Campos, CEO e fundadora da AgroGrINTech.
No âmbito do Pep4Fish, a bromelaína é utilizada para a produção de hidrolisados proteicos destinados a rações para peixes, contribuindo para melhorar a digestibilidade, a saúde e o crescimento de robalo e dourada. “A bromelaína tem propriedades anti-inflamatórias e digestivas que melhoram a absorção de nutrientes e a saúde dos peixes, com benefícios significativos para a aquacultura”, explica Débora Campos.
A unidade tem uma capacidade produtiva anual de 50 quilos de extratos enzimáticos, obtidos a partir do processamento de mais de 250 toneladas de resíduos de ananás. Para além da bromelaína, o processo gera subprodutos como farinhas sem glúten e aditivos naturais, num modelo de resíduo zero em que toda a matéria-prima é valorizada. “Estamos a investir na inovação e na sustentabilidade, com o objetivo de fortalecer a competitividade da AgroGrIN Tech a nível nacional e global”, acrescenta Débora Campos.
O projeto Pep4Fish é liderado pelo Grupo ETSA e conta com a participação de nove parceiros, incluindo centros de investigação e empresas: AgroGrINTech, B2E – CoLAB para a Bioeconomia Azul (B2E CoLAB), CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, ITS – Indústria Transformadora de Subprodutos (ETSA); Seaculture (Jerónimo Martins), Savinor e Sorgal (Soja Portugal), Sebol (ETSA) e a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.
O Pacto da Bioeconomia Azul, no qual está incluído o Pep4Fish, constitui uma das agendas mobilizadoras para a Inovação Empresarial, previstas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
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