Taynara Franco
Gestora de Inovação & LCA
Taynara Franco , Gestora de Inovação & LCA
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Durante décadas, o verde virou sinônimo de sustentabilidade. Foi incorporado pelo mercado através de rótulos, certificações e campanhas de comunicação, até que o * foi identificado, questionado e progressivamente combatido através de regulamentações e fiscalização. Será que veremos o mesmo movimento com o azul?
Cada vez mais ouvimos termos como em Portugal. O que faz todo sentido já que o nosso território marítimo é maior do que o terrestre, e contamos ainda com a possibilidade de extensão da plataforma continental para além das 200 milhas náuticas, o que poderá aumentar de 1,7 para cerca de 4,1 milhões de km² a área marítima sobre a qual Portugal poderá exercer direitos de soberania relativamente aos recursos do solo e subsolo marinhos (GEE, 2022).
O mar representa, portanto, uma enorme oportunidade económica. Mas é precisamente por isso que precisamos fazer uma distinção importante: ser azul não significa, por si só, ser sustentável.
O termo Economia Azul é utilizado para descrever atividades económicas relacionadas com os mares e oceanos, tradicionais ou emergentes, como a pesca, a aquacultura, os transportes marítimos, os portos e a logística, o turismo, o setor naval, a exploração offshore e a biotecnologia, entre muitas outras.
A definição aproxima-se muito do conceito português de Economia do Mar. Segundo a Direção-Geral de Política do Mar (DGPM), este conceito considera as atividades económicas que utilizam o mar, direta ou indiretamente, privilegiando a cadeia de valor em que se inserem. Inclui atividades localizadas no espaço marítimo, nas zonas costeiras e também em áreas interiores, desde que relacionadas com o mar (INE, 2025).
Estamos, assim, perante várias atividades e setores económicos que utilizam o mar e os seus recursos, muitas vezes com objetivos, cadeias de valor e formas de utilização próprias. Não existe, contudo, uma única definição universal de Economia Azul. O conceito tem evoluído e, sobretudo no contexto europeu, aparece cada vez mais associado à sustentabilidade. Nesta evolução, ganha também importância uma visão mais integrada dessas diferentes atividades, assente no planeamento, na cooperação e na articulação entre setores que partilham o mesmo espaço e os mesmos recursos. Esta associação é particularmente evidente nas políticas públicas e nas oportunidades de financiamento europeias.
Mas aqui surge uma questão fundamental: se uma atividade é azul, isso significa que é sustentável?
A resposta é não.
Em 2021, um estudo dedicado aos critérios de sustentabilidade da Economia Azul procurou precisamente responder a esta questão. O trabalho identificou quatro dimensões fundamentais para avaliar a sustentabilidade das atividades azuis: ambiental, económica, social e governança (CINEA, 2021).
Ou seja, uma economia azul sustentável promove crescimento económico, inclusão social e melhoria dos meios de subsistência, assegurando simultaneamente a sustentabilidade ambiental do capital natural dos oceanos e mares.
E há outro ponto importante: uma atividade azul não começa nem termina no mar. A sua cadeia de valor – das matérias-primas e energia aos transportes, processamento e destino final – também influencia o seu desempenho. No pilar ambiental, ferramentas como a Avaliação do Ciclo de Vida (LCA) ajudam a compreender esses impactos.
Ou seja, o azul por si só descreve a origem da atividade. Ser sustentável não significa necessariamente ter o mesmo desempenho nos quatro pilares. Significa compreender os impactos e os trade-offs da atividade em cada uma dessas dimensões, tendo em conta o seu contexto.
É aqui que o conceito de bluewashing merece atenção. Se azul começar a ser utilizado para transmitir uma imagem de sustentabilidade que não é sustentada por evidências, estaremos perante o mesmo problema que já conhecemos com o greenwashing.
Ser azul não é ser sustentável. Azul é o ponto de partida. Sustentabilidade é aquilo que precisamos demonstrar.
É também aqui que organizações como o B2E CoLAB têm um papel a desempenhar: aproximar ciência, empresas e inovação, promover a colaboração entre diferentes atores da bioeconomia azul e contribuir para que novas cadeias de valor sejam desenvolvidas tendo a sustentabilidade como parte integrante do processo, e não apenas como uma característica associada ao facto de serem “azuis”.
*Greenwashing é a prática de transmitir, através de comunicação, marketing ou publicidade, uma imagem de desempenho ou benefício ambiental superior àquela que pode ser efetivamente demonstrada, através de alegações vagas, enganosas, exageradas ou sem evidência suficiente (EC, 2023).
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