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Em 2026, a inteligência artificial (IA) na aquacultura já está a ser aplicada para otimizar sistemas de alimentação e monitorizar o comportamento dos peixes. No entanto, continua a ser sobretudo uma ferramenta de apoio à decisão, e não uma solução de gestão totalmente autónoma.
De acordo com um artigo publicado pelo misPeces, as aplicações mais maduras da IA na aquacultura estão atualmente centradas em tecnologias de visão computacional capazes de analisar o comportamento alimentar e ajustar automaticamente a distribuição de ração. Estes sistemas ajudam a reduzir o desperdício de alimento e a melhorar a eficiência produtiva, especialmente em sistemas de recirculação aquícola (RAS) e outros ambientes controlados.
O artigo explica que câmaras alimentadas por IA conseguem detetar pellets não consumidos, alterações nos padrões de natação e na intensidade da alimentação. Estes dados permitem ajustes em tempo real, contribuindo para a redução dos custos operacionais e do impacto ambiental. Como resultado, a IA na aquacultura está a tornar-se um importante motor de sustentabilidade na produção aquícola.
Segundo um estudo científico publicado na ScienceDirect, a integração de machine learning, deep learning e redes de sensores inteligentes permite aos produtores processar grandes volumes de dados ambientais. Parâmetros como temperatura, oxigénio dissolvido, pH e turbidez podem agora ser monitorizados e analisados de forma contínua.
Os investigadores citados pela ScienceDirect explicam que os modelos de IA conseguem identificar padrões complexos invisíveis ao olho humano, apoiando decisões de gestão mais rápidas e precisas. Esta abordagem orientada por dados melhora o bem-estar animal, otimiza o desempenho das explorações e reduz os riscos de produção.
No entanto, conforme reportado pelo misPeces, a IA na aquacultura ainda enfrenta importantes limitações técnicas. Em ambientes reais de produção, a fraca visibilidade da água, as variações nas condições de luz e a bioincrustação nas câmaras reduzem significativamente a precisão dos sistemas de visão computacional. Estes desafios dificultam a implementação consistente de soluções de IA em diferentes sistemas aquícolas.
Outro grande entrave à adoção generalizada da IA na aquacultura é a necessidade de grandes volumes de dados de elevada qualidade. Segundo investigadores referenciados pela ScienceDirect, o treino de modelos de IA fiáveis exige anos de dados históricos de produção, algo que muitas pequenas e médias explorações não possuem. Além disso, o custo de instalação de sensores, câmaras e infraestruturas de dados continua a ser um obstáculo relevante.
Aplicações mais avançadas da IA na aquacultura, como a deteção precoce de doenças, a avaliação do bem-estar animal e a previsão de mortalidade, permanecem em grande parte em fase experimental. Como refere o misPeces, estas tecnologias estão sobretudo a ser testadas em ambientes laboratoriais ou em projetos-piloto, não estando ainda amplamente implementadas à escala comercial.
Os especialistas concordam que o futuro da IA na aquacultura depende de uma melhor disponibilidade de dados, da redução dos custos tecnológicos e de uma colaboração mais estreita entre investigadores, fornecedores de tecnologia e produtores.
Em conclusão, tanto o misPeces como a literatura científica defendem que a IA na aquacultura deve ser encarada como uma ferramenta complementar ao conhecimento humano, potenciando a tomada de decisão em vez de substituir a experiência técnica no terreno. Embora a automação total ainda esteja distante, a IA já desempenha um papel fundamental na construção de um setor aquícola mais eficiente, sustentável e orientado por dados.
Esta crescente relevância da inteligência artificial na economia do mar estará no centro do Blue Wink-E 2026 | Ocean AI Futures, um evento internacional que terá lugar a 20 de março de 2026, no Terminal de Cruzeiros do Porto, em Matosinhos. A conferência reunirá investigadores, líderes da indústria e decisores para explorar como a IA e a transformação digital estão a redefinir setores ligados ao oceano, incluindo a aquacultura, a biotecnologia marinha e a monitorização ambiental, promovendo o diálogo entre ciência, inovação e impacto real no terreno.
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