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O que acontece quando um presidente de um dos maiores institutos de investigação tecnológica do país, um especialista em liderança na economia do mar, um estratega de Inteligência Artificial e o CEO de uma empresa que aplica IA debaixo de água sobem ao mesmo palco?
No dia 20 de março, no Terminal de Cruzeiros de Leixões, o Blue Wink-E 2026 | Ocean AI Futures junta quatro perspetivas complementares para discutir como a Inteligência Artificial está a redefinir a economia azul e quem decide como essa tecnologia será utilizada.
A mesa-redonda contará com a participação de João Claro, presidente do INESC TEC; Álvaro Sardinha, fundador do Centro de Competência em Economia Azul (C2EA); Kelwin Fernandes, CEO da NILG.AI; e Guilherme Beleza Vaz, CEO da blueOASIS. O debate será moderado por Patrícia Gonçalves, Marketing & Communication Manager do B2E CoLAB, que conduzirá a conversa num formato dinâmico e participativo, envolvendo o público ao longo da sessão.
Infraestrutura científica e tecnologia aplicada
João Claro traz para o debate a dimensão estrutural da transformação digital. À frente do INESC TEC, uma das principais instituições nacionais de investigação e desenvolvimento tecnológico, representa a visão de infraestrutura científica, sistemas inteligentes e transferência de conhecimento como base para soluções escaláveis na economia azul.
Num momento em que o investimento em infraestrutura digital no oceano tem registado crescimento significativo a nível global, a questão central passa por saber se Portugal está preparado para transformar capacidade científica em impacto operativo no terreno.
Álvaro Sardinha acrescenta a dimensão humana à discussão. Enquanto fundador do C2EA, tem defendido que a economia azul não depende apenas de tecnologia, mas da preparação de líderes capazes de integrar sustentabilidade, direito do mar, modelos económicos e inovação.
Num contexto em que a IA exige novas competências híbridas, técnicas, estratégicas e éticas, o debate incluirá o papel do capital humano na adoção responsável da tecnologia.
Kelwin Fernandes, cofundador e CEO da NILG.AI, traz a perspetiva da adoção empresarial da Inteligência Artificial. Com experiência em múltiplos setores, a sua intervenção focar-se-á na forma como a IA pode passar de ferramenta operacional para infraestrutura de decisão, influenciando investimento, gestão de risco e eficiência organizacional.
À medida que dados ambientais, climáticos e operacionais se tornam ativos estratégicos, a questão já não é apenas tecnológica, mas estratégica: como integrar IA sem comprometer governança e confiança?
A dimensão prática da conversa será reforçada por Guilherme Beleza Vaz, CEO da blueOASIS, que lidera o projeto SmartFISHER, uma solução de monitorização subaquática baseada em IA que mede biometria e comportamento de espécies, apoiando decisões em aquacultura e avaliação de impacto ambiental.
O sistema utiliza visão computacional para transformar dados subaquáticos em inteligência acionável, demonstrando como a IA já opera em ambientes marinhos reais.
A mesa-redonda integra o programa do Blue Wink-E 2026 | Ocean AI Futures, evento internacional dedicado à interseção entre Inteligência Artificial e economia azul.
Num momento em que a economia do oceano representa cerca de 3,3 biliões de dólares anuais a nível global e a digitalização se afirma como camada estratégica do setor, o debate centrar-se-á numa questão essencial: a Inteligência Artificial será apenas uma ferramenta de eficiência, ou o sistema operativo que vai redefinir a forma como o oceano é financiado, monitorizado e governado?
A resposta dependerá não apenas da tecnologia, mas das decisões tomadas por quem a desenvolve, aplica e regula e de como a sociedade escolhe participar nessa transformação.
A crescente integração da inteligência artificial na economia azul está a alterar a forma como projetos são avaliados, financiados e monitorizados. Desde a modelação de risco climático à otimização de operações em aquacultura, passando pela análise preditiva de dados oceânicos, a tecnologia deixa de ser apenas um instrumento técnico e passa a funcionar como infraestrutura estratégica. Esta transição exige não só capacidade científica e tecnológica, mas também enquadramento regulatório e visão institucional.
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