Opinião

INESC TEC: Inovação para um Futuro Sustentável

João Claro

A ler

INESC TEC: Inovação para um Futuro Sustentável

João Claro ,

25 de Outubro de 2023

Share

CONECTORES OCEÂNICOS

Em cinco perguntas e respostas, João Claro, Vice-Presidente e CEO do INESC TEC, um instituto afiliado no B2E CoLAB, apresenta exemplos do impacto da inovação tecnológica no desenvolvimento do emergente setor da bioeconomia azul. Não perca mais um segmento do Ocean Connectors.

 

Quais os principais resultados do trabalho do INESC TEC no âmbito da bioeconomia azul?

No INESC TEC, aproveitamos as sinergias entre ciência e inovação para nos envolvermos num amplo espectro de oportunidades, desde desafios altamente específicos da indústria até desafios mais transversais. No setor da bioeconomia, as nossas contribuições abrangem desde soluções de sistemas físicos a software, incluindo, entre outros, sensores óticos e biossensores para variáveis ​​físicas ou químicas ou organismos específicos; integração de dados heterogéneos; realidade virtual e aumentada para visualização de dados e fenómenos; soluções de comunicação para ambientes adversos, incluindo subaquáticos; e sistemas robotizados multifuncionais, operando acima, à superfície e debaixo de água, capazes de percecionar o ambiente, navegar de forma autónoma, realizar missões complexas e recolher novos dados.

 

Um projeto na área da bioeconomia azul em que participou e do qual se orgulha.

Um grupo de investigadores do INESC TEC recolheu recentemente amostras de ADN ambiental no Ártico em condições extremas. A equipa utilizou uma tecnologia chamada bioamostrador, que facilita a tarefa dos biólogos que, posteriormente, irão analisar as amostras. O bioamostrador é uma tecnologia portuguesa desenvolvida pelo INESC TEC e pelo CIIMAR. Foi testado no ambiente extremo do Ártico, descendo até aos 15 metros de profundidade nas águas frias dos glaciares em degelo localizados nos fiordes de Svalbard – no âmbito dos projetos Connect2Oceans e MicroArctic, ambos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). O bioamostrador foi acoplado a um robô que permitiu o funcionamento autónomo das duas tecnologias portuguesas. Os investigadores regressaram a Portugal com amostras recolhidas em diferentes pontos do Ártico – agora em análise laboratorial.

 

Um projeto ou ideia que gostaria de implementar na bioeconomia azul?

Diferentes projectos inscritos na Agenda BlueFood do Plano de Recuperação e Resiliência teriam um impacto substancial a médio prazo na produção aquícola em Portugal e um impacto considerável na redução de produções insustentáveis, importações e emissões de CO2. A vasta ambição do projeto abrange desafios onshore e offshore, propondo o desenvolvimento de soluções inovadoras de alimentação, viveiros, sensores e software operacional e de gestão suportado por algoritmos preditivos e gémeos digitais. Propõe ainda jaulas offshore novas e automatizadas, equipadas com sistemas de vigilância, comunicações remotas em tempo real, soluções robotizadas de apoio a diferentes tipos de operações, novas embarcações de operações para aquacultura, considerando as limitações humanas e adoptando o H2 como vector energético, entre muitos outros projectos fundamentais para combater seriamente o atraso da produção aquícola em Portugal.

 

Como imagina a bioeconomia azul daqui a 30 anos?

A bioeconomia azul promete tornar-se um setor líder, proporcionando uma verdadeira sustentabilidade, convertendo a inovação em impactos económicos equilibrados e na criação de emprego, especialmente para as regiões atualmente menos favorecidas, e em impactos significativos na transição verde, contribuindo para a mitigação das alterações climáticas e para o reforço da biodiversidade e de muitos dos nossos ecossistemas críticos.

 

Qual a importância do trabalho desenvolvido pelo B2E CoLAB?

O B2E CoLAB ocupa uma posição única em Portugal, na convergência entre a academia e a indústria, para dinamizar o nosso setor nacional de bioeconomia azul. Os seus primeiros anos de operação demonstram claramente a sua capacidade de orquestrar parcerias e trabalhar em dimensões como o desenvolvimento de talentos, a inovação científica e tecnológica e a internacionalização, para apoiar a afirmação bem-sucedida dos nossos dois setores de elevado potencial de foco para o CoLAB: biotecnologia e aquicultura.

Notícias Recentes

Novo estudo quer orientar investimento e políticas na biotecnologia azul

Resíduos da pesca transformados em soluções para captura e valorização de CO₂

Biotecnologia azul ganha novo impulso com primeiro estúdio global nos EUA

Bioeconomia: Europa quer passar do laboratório à indústria até 2040

+351 220 731 375
b2e@b2e.pt

Avenida da Liberdade, s/n, sala E7
4450-718 Leça da Palmeira