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IA na pesca: ação climática e segurança alimentar em 2026

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IA na pesca: ação climática e segurança alimentar em 2026

13 de Março de 2026
Blue Wink-E 2026

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A inteligência artificial (IA) na pesca está a afirmar-se como uma ferramenta estratégica para a ação climática e a segurança alimentar, transformando a forma como a atividade piscatória é monitorizada e gerida à escala global. Em 2026, a IA na pesca é cada vez mais utilizada para reforçar a governação sustentável, melhorar os mecanismos de fiscalização e apoiar a tomada de decisão baseada em dados ao longo das cadeias de valor do pescado.

De acordo com um relatório internacional publicado pelo World Economic Forum (WEF), estas tecnologias digitais estão a ajudar as autoridades a combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (IUU), a proteger espécies marinhas vulneráveis e a garantir a sustentabilidade a longo prazo dos stocks de peixe, salvaguardando simultaneamente uma fonte essencial de proteína para milhões de pessoas em todo o mundo.

Segundo o WEF, a combinação da IA na pesca com sistemas de monitorização eletrónica está a melhorar significativamente a fiscalização, reforçando o combate à pesca ilegal. Esta integração tecnológica permite identificar padrões de atividade suspeitos de forma mais rápida e precisa, apoiando as autoridades e as organizações internacionais na implementação de medidas eficazes.

O relatório destaca ainda que modelos baseados em IA permitem acompanhar, em tempo real, cadeias de abastecimento de espécies como o atum, proporcionando uma visão detalhada sobre capturas, transporte e processamento. Esta rastreabilidade digital contribui para reduzir capturas não declaradas e perdas económicas ao longo da cadeia de valor, promovendo práticas de pesca mais eficientes e transparentes.

Outro aspeto central identificado pelo WEF é o contributo da IA na pesca para a identificação de espécies vulneráveis e para a otimização do esforço de captura, respeitando os limites de sustentabilidade dos recursos haliêuticos. Algoritmos avançados conseguem analisar grandes volumes de dados biológicos e ambientais, como níveis populacionais, condições oceânicas e padrões migratórios, apoiando a definição de quotas de captura e a determinação da abertura e encerramento das épocas de pesca.

O relatório sublinha que estas soluções tecnológicas não substituem o papel das comunidades piscatórias nem das instituições reguladoras, funcionando antes como ferramentas complementares que reforçam a gestão das pescas baseada em evidência científica. Quando implementada de forma responsável, a inteligência artificial tem potencial para alinhar objetivos económicos, sociais e ambientais no setor das pescas.

Especialistas consultados pelo WEF salientam ainda que a adoção da IA na pesca pode ter impactos positivos na segurança alimentar global, ao assegurar a exploração sustentável dos recursos marinhos e garantir um fornecimento estável de proteína animal para milhões de pessoas.

Neste cenário, a IA na pesca surge como um elemento-chave para reforçar políticas públicas baseadas em evidência científica, promover transparência nas cadeias de valor do pescado e apoiar decisões estratégicas alinhadas com os objetivos climáticos e de sustentabilidade definidos a nível europeu e global.

IA na pesca e governação sustentável do oceano

À medida que a digitalização do oceano avança, iniciativas como as descritas pelo WEF colocam a inteligência artificial no centro de uma nova fase da governação marinha, onde tecnologia e sustentabilidade convergem para responder a desafios complexos como a sobrepesca, a degradação de habitats e a pressão sobre recursos essenciais.

Neste contexto de rápida evolução tecnológica aplicada à governação do oceano, o debate sobre o papel da IA na gestão sustentável das pescas ganha crescente relevância. Esta reflexão estará também em destaque no Blue Wink-E 2026 | Ocean AI Futures, que se realiza a 20 de março, no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, reunindo especialistas, decisores e líderes do ecossistema da economia azul para discutir de que forma a IA e a transformação digital estão a moldar o futuro da economia do oceano.

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