João Reis
Gestor de IT
João Reis , Gestor de IT
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No xadrez da economia global, a liderança de Portugal exige a interseção entre ciência, indústria e políticas públicas, colocando as pessoas e as comunidades no centro da inovação.
Como IT Project Manager no B2E CoLAB, o meu foco é converter fluxos de dados fragmentados em ativos de inteligência que reduzam o risco e potenciem investimentos estratégicos no setor azul. Acredito que a Inteligência Artificial, alicerçada nos princípios FAIR (Findable, Accessible, Interoperable, Reusable) e na Ciência Aberta, é o catalisador que protege a nossa soberania e garante uma inovação inclusiva e transparente. É esta visão, de um oceano inteligente, estruturado por dados mas orientado por e para as pessoas, que estará em debate no Blue Wink-E 2026, a 20 de março, em Matosinhos.
Para que essa visão deixe de ser conceptual e se torne operacional, é necessário enfrentar um desafio estrutural: a fragmentação da informação. A economia azul exige a superação definitiva dos silos de informação. Mais do que em ferramentas isoladas, a verdadeira disrupção reside na capacidade sistémica de desenhar arquiteturas que integrem dados, capital humano e políticas públicas. Ao concretizar esta transição para um paradigma preditivo, conseguimos transformar a incerteza em planeamento rigoroso. Neste contexto, a Inteligência Artificial é o catalisador sistémico que viabiliza:
Autonomia Estratégica: Preservar a inteligência sobre os recursos como um ativo nacional soberano, evitando que o país seja um mero exportador de dados brutos.
Vanguarda Industrial: Impulsionar a transição para uma bioeconomia de conhecimento. Projetos como o FishMatter desvendam fluxos secundários subaproveitados, apoiando a conversão de desperdício em matérias-primas de alto valor para mercados globais exigentes.
Eficiência Sistémica: A sustentabilidade transcende o compromisso reputacional para se tornar uma vantagem competitiva mensurável e rentável.
Contudo, tecnologia sem princípios não gera competitividade sustentável. Costuma dizer-se que “os dados são o combustível e a IA o acelerador”, mas o valor real apenas emerge quando integrados por arquiteturas que respeitam os princípios FAIR. Adotar esta postura significa ser “tão aberto quanto possível, tão fechado quanto necessário”, salvaguardando a propriedade intelectual. Ao tratarmos o oceano como uma infraestrutura de conhecimento, preparamos o setor para cadeias de valor emergentes.
O sucesso do setor azul exige que sejamos arquitetos da transformação digital. O Blue Wink-E 2026 vai além dos algoritmos: foca-se na forma como a digitalização reforça a competitividade industrial e a soberania alimentar. Este será o palco para potenciar a interseção entre investigadores, empresas, decisores e cidadãos, unindo-os numa visão comum. Porque o futuro do oceano constrói-se agora: inteligente, autónomo e sustentável.
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