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A economia do oceano poderá crescer de 2,6 biliões de dólares em 2020 para 5,1 biliões até 2050. Ainda assim, continua largamente subrepresentada nas decisões estratégicas de investimento e na alocação de capital global.
A projeção consta do mais recente relatório do World Economic Forum, “The Ocean Economy Imperative: Defining Value, Managing Risk and Mobilizing Investment” (janeiro de 2026), desenvolvido em colaboração com a McKinsey & Company.
Num contexto de crescimento económico mais lento, maior pressão sobre os recursos naturais e crescente volatilidade geopolítica e climática, o oceano surge não apenas como ativo ambiental, mas como infraestrutura económica crítica.
O documento estima que o valor atual da economia do oceano ultrapasse os 3 biliões de dólares, abrangendo setores como transporte marítimo, energia offshore, aquacultura, turismo costeiro, biotecnologia marinha e infraestruturas digitais submarinas.
Os números ajudam a enquadrar a escala:
80% do volume do comércio mundial é transportado por via marítima
Mais de 3 mil milhões de pessoas dependem do pescado como fonte relevante de proteína
Mais de 95% das comunicações internacionais passam por cabos submarinos
2,75 mil milhões de pessoas vivem a menos de 100 km da costa
Se fosse um país, a economia do oceano equivaleria à quinta maior economia do mundo.
Apesar desta dimensão, permanece frequentemente subavaliada — e, sobretudo, subfinanciada.
Um dos pontos centrais do relatório é claro: a exposição ao oceano não é setorial, é sistémica.
Ativos costeiros, cadeias logísticas globais, infraestruturas portuárias e cadeias de abastecimento dependem, direta ou indiretamente, da estabilidade dos sistemas oceânicos.
Alguns dados ilustram essa vulnerabilidade:
191,5 mil milhões de dólares em comércio estão anualmente expostos a disrupções em pontos críticos marítimos
Entre 67 e 81 mil milhões de dólares de comércio global encontram-se em risco anual devido a interrupções portuárias associadas a eventos climáticos
Até 4 biliões de dólares em infraestruturas costeiras poderão estar em risco nas próximas décadas
O problema, sublinha o relatório, não é apenas a inevitabilidade do risco, mas a sua subprecificação. A integração de métricas de risco oceânico nas decisões financeiras continua limitada, apesar da crescente exposição dos mercados.
A economia do oceano tem crescido acima da média global nas últimas décadas, impulsionada por duas dinâmicas principais.
Por um lado, setores já consolidados, mas em aceleração: aquacultura, dessalinização, energia eólica offshore, digitalização portuária e descarbonização do transporte marítimo.
Por outro, indústrias emergentes com elevado potencial de expansão, como a bioeconomia azul, a energia das ondas e das marés, os mercados de restauro ecológico, as tecnologias de mitigação de poluição e a captura de carbono marinho.
Entre 2010 e 2025, o valor empresarial acumulado de startups ligadas a áreas emergentes da economia do oceano cresceu de 1,1 mil milhões para 24,7 mil milhões de dólares. Embora a maturidade tecnológica permaneça desigual, o pipeline de inovação encontra-se em clara consolidação.
Uma das principais conclusões do relatório é a necessidade de reposicionar a economia do oceano como parte integrante da infraestrutura económica global, e não como um nicho exclusivamente ambiental.
A mobilização de capital para o oceano não é apenas uma questão de sustentabilidade. É também uma questão de competitividade, resiliência e segurança económica.
O documento recomenda que empresas e investidores:
Avaliem a sua exposição atual ao risco oceânico
Desenvolvam teses de investimento específicas para setores de elevado crescimento
Integram instrumentos financeiros “azuis” nas suas estratégias
Se posicionem como agentes ativos na transformação da economia do oceano
O enquadramento agora apresentado reforça uma tendência clara: a economia do oceano está a entrar numa nova fase, marcada por maior sofisticação financeira, melhor gestão de risco e necessidade de infraestruturas digitais mais robustas.
É neste contexto que o Blue Wink-E 2026 | Ocean AI Futures, a realizar-se a 20 de março no Terminal de Cruzeiros de Leixões, se propõe discutir o papel da inteligência artificial e da transformação digital na estruturação da economia azul.
Num momento em que o capital procura ativos resilientes e modelos de crescimento sustentáveis, o desafio já não é apenas identificar oportunidades no oceano, mas construir as ferramentas que permitam avaliá-las, financiá-las e escalá-las com maior rigor.
O debate está consolidado à escala internacional. Portugal posiciona-se como parte ativa dessa conversa.
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