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Economia do oceano pode atingir 5,1 biliões de dólares até 2050

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Economia do oceano pode atingir 5,1 biliões de dólares até 2050

9 de Março de 2026
#BlueWinkE2026

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A economia do oceano poderá crescer de 2,6 biliões de dólares em 2020 para 5,1 biliões até 2050. Ainda assim, continua largamente subrepresentada nas decisões estratégicas de investimento e na alocação de capital global.

A projeção consta do mais recente relatório do World Economic Forum, “The Ocean Economy Imperative: Defining Value, Managing Risk and Mobilizing Investment” (janeiro de 2026), desenvolvido em colaboração com a McKinsey & Company.

Num contexto de crescimento económico mais lento, maior pressão sobre os recursos naturais e crescente volatilidade geopolítica e climática, o oceano surge não apenas como ativo ambiental, mas como infraestrutura económica crítica.

Economia do oceano: invisível, mas estrutural

O documento estima que o valor atual da economia do oceano ultrapasse os 3 biliões de dólares, abrangendo setores como transporte marítimo, energia offshore, aquacultura, turismo costeiro, biotecnologia marinha e infraestruturas digitais submarinas.

Os números ajudam a enquadrar a escala:

  • 80% do volume do comércio mundial é transportado por via marítima

  • Mais de 3 mil milhões de pessoas dependem do pescado como fonte relevante de proteína

  • Mais de 95% das comunicações internacionais passam por cabos submarinos

  • 2,75 mil milhões de pessoas vivem a menos de 100 km da costa

Se fosse um país, a economia do oceano equivaleria à quinta maior economia do mundo.

Apesar desta dimensão, permanece frequentemente subavaliada — e, sobretudo, subfinanciada.

O risco já está no sistema

Um dos pontos centrais do relatório é claro: a exposição ao oceano não é setorial, é sistémica.

Ativos costeiros, cadeias logísticas globais, infraestruturas portuárias e cadeias de abastecimento dependem, direta ou indiretamente, da estabilidade dos sistemas oceânicos.

Alguns dados ilustram essa vulnerabilidade:

  • 191,5 mil milhões de dólares em comércio estão anualmente expostos a disrupções em pontos críticos marítimos

  • Entre 67 e 81 mil milhões de dólares de comércio global encontram-se em risco anual devido a interrupções portuárias associadas a eventos climáticos

  • Até 4 biliões de dólares em infraestruturas costeiras poderão estar em risco nas próximas décadas

O problema, sublinha o relatório, não é apenas a inevitabilidade do risco, mas a sua subprecificação. A integração de métricas de risco oceânico nas decisões financeiras continua limitada, apesar da crescente exposição dos mercados.

Onde está o crescimento?

A economia do oceano tem crescido acima da média global nas últimas décadas, impulsionada por duas dinâmicas principais.

Por um lado, setores já consolidados, mas em aceleração: aquacultura, dessalinização, energia eólica offshore, digitalização portuária e descarbonização do transporte marítimo.

Por outro, indústrias emergentes com elevado potencial de expansão, como a bioeconomia azul, a energia das ondas e das marés, os mercados de restauro ecológico, as tecnologias de mitigação de poluição e a captura de carbono marinho.

Entre 2010 e 2025, o valor empresarial acumulado de startups ligadas a áreas emergentes da economia do oceano cresceu de 1,1 mil milhões para 24,7 mil milhões de dólares. Embora a maturidade tecnológica permaneça desigual, o pipeline de inovação encontra-se em clara consolidação.

De tema ambiental a infraestrutura estratégica

Uma das principais conclusões do relatório é a necessidade de reposicionar a economia do oceano como parte integrante da infraestrutura económica global, e não como um nicho exclusivamente ambiental.

A mobilização de capital para o oceano não é apenas uma questão de sustentabilidade. É também uma questão de competitividade, resiliência e segurança económica.

O documento recomenda que empresas e investidores:

  • Avaliem a sua exposição atual ao risco oceânico

  • Desenvolvam teses de investimento específicas para setores de elevado crescimento

  • Integram instrumentos financeiros “azuis” nas suas estratégias

  • Se posicionem como agentes ativos na transformação da economia do oceano

Um debate que ganha centralidade

O enquadramento agora apresentado reforça uma tendência clara: a economia do oceano está a entrar numa nova fase, marcada por maior sofisticação financeira, melhor gestão de risco e necessidade de infraestruturas digitais mais robustas.

É neste contexto que o Blue Wink-E 2026 | Ocean AI Futures, a realizar-se a 20 de março no Terminal de Cruzeiros de Leixões, se propõe discutir o papel da inteligência artificial e da transformação digital na estruturação da economia azul.

Num momento em que o capital procura ativos resilientes e modelos de crescimento sustentáveis, o desafio já não é apenas identificar oportunidades no oceano, mas construir as ferramentas que permitam avaliá-las, financiá-las e escalá-las com maior rigor.

O debate está consolidado à escala internacional. Portugal posiciona-se como parte ativa dessa conversa.

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