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Cada vez mais empresas falam em sustentabilidade. Mas nem todas falam da mesma coisa e a diferença importa.
No contexto da bioeconomia azul, três conceitos aparecem com frequência crescente: pegada de carbono, Análise de Ciclo de Vida (LCA) e Declaração Ambiental de Produto (EPD). São frequentemente confundidos, usados de forma intercambiável, ou tratados como sinónimos.
Não são. E perceber a diferença é cada vez mais relevante: para responder a clientes, para cumprir regulamentação e para tomar melhores decisões.
A pegada de carbono mede as emissões de gases com efeito de estufa associadas a uma empresa, produto ou atividade, expressas em CO₂ equivalente.
É um indicador útil, amplamente reconhecido e comparável. Mas é apenas isso: um indicador. Mede uma única dimensão do impacto ambiental, as emissões de carbono — mesmo quando o âmbito inclui toda a cadeia de valor, a montante e a jusante (os chamados Scope 1, 2 e 3, que a CSRD já exige).
Não responde a perguntas sobre consumo de água, uso do solo, impacto na biodiversidade, eutrofização ou toxicidade. Para ter esse quadro completo, é necessária uma abordagem diferente.
A Análise de Ciclo de Vida vai mais longe. Avalia os impactos ambientais de um produto em todas as fases da sua existência (das matérias-primas ao fim de vida) e em múltiplas categorias de impacto em simultâneo: carbono, água, energia, uso do solo, eutrofização, toxicidade, entre outras.
A LCA não substitui a pegada de carbono: contextualiza-a. O carbono passa a ser uma das várias categorias analisadas, e não o único indicador disponível.
Isto permite identificar onde o impacto é realmente maior, que nem sempre é onde a empresa assume. Na bioeconomia azul, este detalhe é especialmente relevante: produtos que parecem sustentáveis à superfície podem ter impactos significativos em fases menos visíveis da cadeia, na origem das matérias-primas, no transporte, nos aditivos.
Uma Declaração Ambiental de Produto (EPD, do inglês Environmental Product Declaration) é o passo seguinte ao LCA.
Com base nos dados gerados pelo estudo, a EPD comunica o desempenho ambiental de um produto de forma padronizada, transparente e verificada por uma entidade independente. É publicada em registos internacionais reconhecidos e permite comparações entre produtos equivalentes.
Em termos simples: o LCA produz os dados. A EPD comunica-os de forma credível.
As EPDs são já obrigatórias em alguns setores e mercados, nomeadamente na construção, e estão a ganhar relevância crescente na alimentação, nutrição animal e bioeconomia em geral, à medida que a pressão regulatória europeia aumenta.
A regulamentação europeia está a tornar estes conceitos cada vez menos opcionais.
A Diretiva Empowering Consumers for the Green Transition (EmpCo, Diretiva (UE) 2024/825) vai proibir alegações ambientais genéricas, como “eco-friendly”, “verde” ou “sustentável”, quando não sustentadas por prova verificável. Ao contrário da Green Claims, esta diretiva já foi aprovada: teve de ser transposta para o direito nacional até 27 de março de 2026 e aplica-se a partir de 27 de setembro de 2026. O LCA é uma das metodologias reconhecidas para fundamentar essas alegações. (A proposta de Diretiva Green Claims, que iria acrescentar um sistema de verificação prévia à comercialização, está suspensa desde junho de 2025, sem desfecho formal.)
O CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) obriga empresas acima de determinada dimensão a reportar impactos ambientais de forma estruturada e auditável. O LCA pode ser um contributo relevante para esse reporte, tanto mais abrangente quanto maior for o número de produtos analisados. Uma empresa que faça LCA a toda a sua gama terá uma base de dados muito sólida para um relatório robusto.
O PEF (Product Environmental Footprint) é uma metodologia da Comissão Europeia, baseada em LCA, que está a ser progressivamente integrada em políticas de produto e rotulagem ambiental.
Estas três iniciativas têm calendários diferentes, mas apontam na mesma direção: a credibilidade ambiental vai ser cada vez mais exigida e cada vez mais verificada.
Pegada de carbono, LCA e EPD não são concorrentes. São complementares e seguem uma progressão natural.
Mede-se a pegada de carbono para ter um primeiro indicador sobre emissões. Faz-se um LCA para ter o quadro completo do impacto ambiental. Desenvolve-se uma EPD para comunicar esse quadro de forma reconhecida e verificada.
Para as empresas da bioeconomia azul que querem responder às exigências do mercado atual e antecipar as do mercado de amanhã, perceber esta progressão é o ponto de partida.
O B2E CoLAB apoia empresas em todas estas etapas.
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