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O primeiro estúdio de inovação dedicado exclusivamente à biotecnologia azul já entrou em funcionamento, no estado do Maine, nos Estados Unidos, reunindo 10 equipas internacionais com um objetivo comum: transformar recursos marinhos em produtos de alto valor com aplicação comercial.
De acordo com notícia publicada no Fish Site, o programa, designado Maine Blue Biotech Studio 2026, foi concebido para acelerar a transição da investigação científica para soluções com escala industrial, num setor onde a distância entre inovação e mercado continua a ser um dos principais entraves ao investimento.
A iniciativa é promovida pela Hatch Blue, em parceria com o Bigelow Laboratory for Ocean Sciences e com o apoio do Maine Technology Institute. Ao longo das próximas semanas, os fundadores irão trabalhar em imersão no ecossistema local, com acesso a mentoria especializada, infraestruturas científicas e contacto direto com indústria e investidores.
O grupo selecionado integra empresas dos Estados Unidos, Noruega, Canadá e Alemanha, a operar em áreas como inovação em algas, saúde em aquacultura, biomateriais e economia circular marinha. Entre as soluções em desenvolvimento estão, por exemplo, biomateriais derivados de subprodutos do pescado, revestimentos alimentares com base em algas para prolongar a vida útil de produtos frescos, vacinas orais para aquacultura utilizando microalgas, ou processos de valorização de resíduos de marisco para produção de compostos como o quitosano.
Segundo os promotores, o objetivo do estúdio passa por criar condições para que estas tecnologias avancem para modelos de negócio viáveis e “investíveis”, através de um acompanhamento intensivo que inclui mentoria individual, validação em contexto real e integração em cadeias de valor já existentes.
“É o primeiro programa deste tipo focado especificamente em biotecnologia azul”, afirmou Dylan Terry, diretor do estúdio na Hatch Blue, citado no Fish Site. “A ideia é dar às empresas o tempo, as ligações e o suporte necessários para transformar tecnologias promissoras em negócios escaláveis.”
O Maine tem vindo a afirmar-se como um território estratégico neste domínio, beneficiando de uma combinação de recursos marinhos, instituições científicas de referência e uma comunidade empresarial ligada ao mar. A região alberga uma das indústrias de aquacultura de algas com crescimento mais rápido nos Estados Unidos e está próxima do ecossistema de ciências da vida de Boston, o que reforça a sua capacidade de atrair talento, investimento e parcerias.
Para Beth Orcutt, vice-presidente de investigação do Bigelow Laboratory for Ocean Sciences, também citada pelo Fish Site, o estado está a emergir como um “laboratório de teste” para a inovação em biotecnologia azul, com condições únicas para desenvolver e escalar novas soluções.
O arranque deste estúdio surge num momento em que a bioeconomia azul enfrenta uma mudança de fase, marcada pela necessidade de transformar conhecimento científico em aplicações concretas, capazes de gerar valor económico e atrair investimento. Mais do que desenvolver novas soluções, o desafio passa agora por garantir que estas conseguem ultrapassar o chamado “vale da morte” entre investigação e mercado.
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