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Bioeconomia: Europa quer passar do laboratório à indústria até 2040

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Bioeconomia: Europa quer passar do laboratório à indústria até 2040

30 de Março de 2026

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A União Europeia quer acelerar a transição da bioeconomia da investigação para a escala industrial, com um foco crescente na bioeconomia azul e no papel estratégico do oceano. O objetivo foi reforçado pelo Conselho Europeu, em alinhamento com a nova estratégia da Comissão Europeia para o setor.

Em causa está uma mudança de fase: sair do desenvolvimento de soluções em contexto laboratorial e garantir a sua aplicação no mercado, com impacto económico e industrial, incluindo novas aplicações baseadas em recursos marinhos, como algas e outros organismos oceânicos.

A bioeconomia – que utiliza recursos biológicos renováveis para produzir alimentos, energia e materiais – deverá assumir um papel central na autonomia estratégica da Europa, contribuindo para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e reforçar cadeias de valor sustentáveis.

Segundo dados da Comissão Europeia, o setor já emprega cerca de 17,1 milhões de pessoas na União Europeia e gera um valor económico estimado em 2,7 biliões de euros, representando aproximadamente um em cada doze empregos no bloco.

O foco passa agora pela escala. “O desafio passa por ampliar soluções já existentes para níveis que transformem mercados”, afirmou Maria Panayiotou, ministra da Agricultura do Chipre, país que detém a presidência rotativa do Conselho, citada pelo jornal PT Green.

Para atingir esse objetivo, Bruxelas defende uma combinação de simplificação regulatória, aceleração de processos de aprovação e maior mobilização de investimento privado, apostando na identificação de setores com elevado potencial para liderar esta transição.

 

Bioeconomia azul e recursos marinhos ganham prioridade

Entre esses setores, ganha relevância crescente a bioeconomia azul. O Conselho Europeu sugere o alargamento da estratégia a áreas como o têxtil, o papel e os bioprodutos de origem marinha, incluindo aplicações baseadas em algas e outros organismos oceânicos.

Este movimento reflete um reconhecimento crescente do papel do oceano na próxima fase da bioeconomia europeia, tanto pela diversidade de recursos disponíveis como pelo seu potencial em áreas como alimentação, materiais e soluções climáticas.

 

Ligação entre ciência, indústria e investimento será decisiva

A tendência acompanha a evolução global. De acordo com o World Economic Forum, em colaboração com a McKinsey & Company, a economia do oceano poderá crescer de 2,6 biliões de dólares em 2020 para 5,1 biliões até 2050.

Apesar desse potencial, o mesmo relatório sublinha um desalinhamento persistente entre o valor do setor e o investimento disponível, com o oceano a captar uma fração reduzida dos fluxos de capital global, sobretudo em áreas ligadas à sustentabilidade.

É precisamente na transição entre investigação e mercado que se concentra grande parte do desafio. A capacidade de ligar ciência, indústria e investimento tem sido apontada como condição crítica para escalar a bioeconomia azul.

Em Portugal, entidades como o B2E – Blue Bioeconomy CoLAB têm vindo a trabalhar nessa interface, promovendo a valorização de recursos marinhos e a sua aplicação em setores como alimentação, biotecnologia e novos materiais.

Num contexto de crescente competição global, a capacidade de estruturar ecossistemas que transformem conhecimento em aplicação económica poderá determinar o ritmo e o alcance da bioeconomia nas próximas décadas.

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