Ana Paula Mucha*
Presidente da Direção B2E CoLAB
Ana Paula Mucha* , Presidente da Direção B2E CoLAB
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Sete anos são, à escala de um ecossistema científico e empresarial, um instante.
Mas podem ser suficientes para provar um conceito.
Quando o B2E – Blue Bioeconomy CoLAB nasceu, havia uma convicção: a bioeconomia azul só se estrutura quando ciência e mercado trabalham lado a lado, com objetivos comuns e ritmos compatíveis. Dito assim parece simples, mas quem vive este setor sabe que esse alinhamento exige persistência, mediação e, sobretudo, confiança.
Ao longo destes sete anos, vimos de perto o que significa construir pontes: entre laboratórios e unidades fabris, entre agendas europeias e desafios empresariais, entre conhecimento científico e necessidades muito concretas das cadeias de valor ligadas ao mar.
Foi essa aproximação constante que permitiu ao B2E CoLAB trabalhar com empresas de diferentes dimensões e perfis, sempre com a mesma premissa: a investigação aplicada só tem impacto quando nasce de problemas reais e gera soluções úteis. Nunca a vimos como algo abstrato, mas sempre integrada nos processos, nos fluxos e nas operações do setor.
A valorização de coprodutos é talvez o exemplo mais claro dessa visão. Vimos muitas vezes fluxos side-stream serem tratados como resíduos sem potencial. Hoje, sabemos que ali pode estar uma parte importante do futuro do setor, em soluções biotecnológicas, funcionais e económicas. Mudar esta lógica é mais do que melhorar processos; é reconfigurar mentalidades.
Em paralelo, assistimos a uma aceleração impressionante da transição digital nos setores ligados ao mar. A integração de dados, a modelação preditiva, a rastreabilidade e a inteligência artificial estão a redefinir os padrões de eficiência e sustentabilidade. E, nos últimos anos, tornou-se evidente para nós que a bioeconomia azul não pode ficar à margem desta transformação.
É precisamente nessa interseção, biotecnologia, indústria e digitalização, que o B2E CoLAB encontrou o seu espaço natural de atuação.
Hoje, o sistema científico e tecnológico nacional vive um momento de evolução. Estruturas reorganizam‑se, políticas ajustam‑se, prioridades reorientam‑se. Encaramos este desafio com realismo. Faz parte do crescimento.
Mas há algo que não muda: mais importante do que o desenho institucional é a função que se cumpre, e essa não se pode perder.
Portugal precisa de entidades capazes de reduzir a distância entre conhecimento e aplicação, de acelerar a transferência de tecnologia e de estruturar cadeias de valor emergentes. Precisa de plataformas colaborativas estáveis, que trabalhem com empresas e centros de investigação com foco em impacto real.
Ao assinalarmos sete anos, não celebramos um ponto de chegada.
Reafirmamos um compromisso.
O compromisso de continuar a estruturar a bioeconomia azul com rigor científico, ambição estratégica e responsabilidade ambiental.
O compromisso de reforçar a competitividade das empresas portuguesas através da inovação aplicada.
E o compromisso de manter um modelo colaborativo que mostrou ser útil, não apenas para nós, mas também para todos os parceiros que nos acompanham.
O conceito foi testado.
O trabalho continua.

*& B2ECoLAB Team
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