Diana Bicho
Gestora de Projetos
Diana Bicho , Gestora de Projetos
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Portugal encontra-se perante uma oportunidade histórica: converter a sua identidade marítima no motor de uma nova era industrial baseada na sustentabilidade e na alta tecnologia. A bioeconomia azul deixou de ser apenas um nicho de investigação para se afirmar como a resposta europeia aos desafios da soberania alimentar, saúde e descarbonização. No horizonte de 2030, o país não pode apenas aspirar a ser um participante neste mercado; tem todas as condições para consolidar a sua posição como o líder da inovação azul na Europa.
O caminho de Portugal para a liderança na bioeconomia azul passa por alavancar a sua vasta costa e biodiversidade marinha através de inovação, investimento em biotecnologia (como algas, utilização de subprodutos e novos alimentos), e a criação de infraestruturas estratégicas, como o Centro Internacional de Biotecnologia Azul em Matosinhos, para transformar recursos marinhos em produtos de alto valor, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e promovendo uma economia sustentável e resiliente, em linha com as estratégias europeia.
Esta liderança não depende apenas da extensão da nossa costa, mas da capacidade de transformar conhecimento científico marinho em soluções aplicáveis e economicamente viáveis. Nesse contexto, o trabalho desenvolvido pelo B2E CoLAB tem-se centrado em aproximar investigação, empresas e decisores, criando condições para que o potencial biotecnológico nacional se traduza em valor real para a economia e para a sociedade.
No horizonte de 2026, esta atuação concretiza-se em linhas de trabalho que refletem desafios reais do setor e oportunidades identificadas no ecossistema da bioeconomia azul. Uma dessas linhas passa pela valorização de coprodutos marinhos, promovendo a sua integração em cadeias de valor nos setores da cosmética, nutracêutica e têxtil, onde resíduos passam a assumir o papel de matérias-primas de elevado valor acrescentado.
“O sucesso de Portugal, em 2030, dependerá da capacidade
de colocar no mercado tecnologia”
Outra dimensão relevante é a incorporação de ferramentas digitais e de dados no setor, com destaque para soluções que recorrem à Inteligência Artificial para apoiar processos como o matchmaking industrial e a rastreabilidade dos recursos marinhos. Estas abordagens contribuem para uma gestão mais eficiente, transparente e sustentável, com aplicação prática no contexto nacional e potencial de replicação a nível europeu.
A consolidação deste trabalho exige também modelos de colaboração público-privada e mecanismos de financiamento que reforcem a ligação entre ciência e mercado. Iniciativas como o enquadramento em mecenato científico, bem como a participação em projetos colaborativos como o Pacto da Bioeconomia Azul, têm permitido criar um ambiente mais favorável à experimentação, à escala e à adoção de soluções alinhadas com os princípios Safe and Sustainable by Design (SSbD).
O sucesso de Portugal, em 2030, dependerá da capacidade de colocar no mercado tecnologia, processos e modelos de negócio circulares desenvolvidos a partir do oceano. É nesse trabalho contínuo de articulação, implementação e aprendizagem conjunta que o B2E CoLAB procura contribuir, ajudando a transformar ambição estratégica em impacto económico, ambiental e social, através da colaboração e da inovação.
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