Ana Braga
Knowledge Transfer Manager
Ana Braga , Knowledge Transfer Manager
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A economia azul engloba atividades econômicas que dependem dos recursos marinhos. Dentro dessa vertente económica, destaca-se o setor da bioeconomia azul, que se baseia no uso inteligente e sustentável dos recursos biológicos marinhos para desenvolver/ produzir produtos e serviços de alto valor agregado. A nível global, este setor apresenta projeções de crescimento, sustentadas pela Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI).
No entanto, em Portugal, o setor da bioeconomia azul enfrenta um descompasso entre a investigação científica e a indústria: cerca de 36% dos stakeholders concentram-se em IDI, enquanto apenas 8% estão envolvidos na fase final da cadeia de valor, o produto gerado pela ID. Esse hiato entre a investigação científica e a indústria é conhecido como o vale da morte da inovação – um intervalo crítico entre os níveis de maturidade tecnológica de TRL4 a TRL7 – em que a solução tecnológica já saiu da fase exploratória, mas ainda não está pronta para a escalabilidade comercial.
O vale da morte continua a ser um dos maiores desafios para a inovação tecnológica; aqui, muitas soluções tecnológicas enfrentam dificuldades, não apenas devido à limitação de financiamento público e privado e pelo insuficiente apoio institucional, mas também porque a transição da investigação científica para produtos e serviços comercializáveis exige competências especializadas.
Em Portugal, este desafio assume ainda maior relevância, uma vez que o tecido empresarial constitui 58% das entidades da cadeia de valor no setor bioeconomia azul, sendo composto maioritariamente por PMEs (76%) e por um conjunto emergente de start-ups (13%). Estas entidades – PMEs e start-ups – enfrentam obstáculos significativos como requisitos regulamentares complexos, limitada capacidade financeira e dificuldades advindas de diversas naturezas. Muitas start-ups, em fase inicial, resultam de iniciativas acadêmicas, o que reforça a necessidade de competências técnicas e organizacionais. Nesta configuração, torna-se fundamental o desenvolvimento de competências técnicas e organizacionais voltadas à economia azul, capazes de transformar conhecimento científico e ideias inovadoras em produtos e serviços com real viabilidade comercial.
As competências técnicas azuis dizem respeito ao domínio especializado de conhecimentos científicos e tecnológicos aplicados em áreas que abrangem desde a bioprospeção de recursos marinhos até o cultivo de biomassa (i.e., microalgas, macroalgas, microrganismos e aquacultura), à engenharia de processos industriais e biorrefinaria, à biologia molecular e bioinformática, à formulação e desenvolvimento de produtos, à digitalização e automação de sistemas, à sustentabilidade e engenharia ambiental e, outros. Já as competências organizacionais azuis envolvem conhecimentos e habilidades que asseguram a ligação entre ciência e mercado. Incluem competências estratégica, governação e parcerias, competências de I&D, PI e transferência de tecnologia, competências de vigilância regulatória, conformidade e biossegurança, competências das operações e cadeia de abastecimento, competências de sustentabilidade e impacto (i.e., ACV, ESG e economia circular), competências de dados e digital, competências de financiamento e incentivos (i.e., captação de fundos, gestão de projetos), gestão de risco e continuidade e, outros.
O B2E CoLAB promove um conjunto diversificado de ações formativas na área da bioeconomia azul, com o objetivo de capacitar profissionais e empreendedores com competências técnicas e organizacionais de elevada relevância para o setor – princípios básicos de transferência de conhecimento. Um exemplo significativo é a parceria com o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), que inclui a oferta de uma unidade curricular em Aquacultura e Biotecnologia Azul em um curso de pós-graduação. Esta unidade curricular centra-se na gestão sustentável dos recursos marinhos e na aquacultura, proporcionando aos participantes uma visão holística do setor, bem como ferramentas tanto para auxiliar na tomada de decisões como para implementar práticas inovadoras e ambientalmente responsáveis.
Contribuindo de forma decisiva para a consolidação e o reforço sustentável da bioeconomia azul em Portugal, o B2E CoLAB distingue-se por impulsionar competências técnicas e organizacionais da economia azul. Ao acelerar a transformação do conhecimento científico em soluções tecnológicas de alto valor, torna viável a passagem da ciência ao mercado.
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